Introdução

A fé é uma das virtudes teologais, ou seja, aquelas que nos relacionam diretamente com Deus. Ela é a confiança que temos na bondade e na fidelidade de Deus, mesmo quando não entendemos tudo o que Ele faz (Hebreus 11:1).

Distinção entre fé, crença e superstição

A fé é diferente da crença, que é a aceitação de uma ideia como verdadeira, mesmo sem provas. A fé é também diferente da superstição, que é a crença em coisas sem fundamento racional.

A crença pode ser baseada em evidências, como a observação de um fenômeno natural ou a experiência pessoal. A superstição, por outro lado, é baseada em crenças ou práticas sem base racional.

A fé, por sua vez, é baseada na confiança em Deus. Ela é a certeza de que Deus existe e que Ele é fiel às Suas promessas (Isaías 55).

A fé como base das demais virtudes

A fé é a base das demais virtudes, pois é ela que nos dá a motivação para vivermos uma vida virtuosa (2 Pedro 1:1-8).

Em Gálatas 5:22, as Escrituras nos dizem que “o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, domínio próprio”. Todas essas nove virtudes são como gomos do mesmo fruto do Espírito e são expressões de santificação pela nossa crescente confiança em Deus. Imagine-se saboreando uma tangerina e sinta o seu perfume.

Quando temos fé em Deus, somos capazes de amar nossos inimigos, de nos alegrarmos mesmo em meio às dificuldades (Habacuque 3:17-19), de manter a paz mesmo quando somos provocados, de sermos pacientes, bondosos e gentis, de fazer o bem e de controlar nossos impulsos.

As dimensões da fé

A fé tem duas dimensões: uma espiritual e outra prática. A dimensão espiritual da fé é a nossa confiança em Deus. É a certeza de que Ele existe e que Ele é fiel às Suas promessas (Hebreus 11:1).

A dimensão prática da fé é a nossa obediência a Deus. É a manifestação de nossa confiança em Suas palavras e em Seu plano para nossas vidas (Tiago 1:27; Isaías 58)

A fé e a religiosidade

A fé é diferente da mera religiosidade. A religiosidade é uma série de práticas e rituais que podem ser realizados sem que haja uma verdadeira fé em Deus (Isaías 1).

Em 2 Pedro 2:17, o apóstolo Pedro nos adverte sobre os perigos da religiosidade infrutífera: “Estes são como nuvens sem chuva, levadas pelo vento; como árvores sem frutos, duplamente mortas, desarraigadas; como ondas bravias do mar, espumando seus próprios atos vergonhosos; como estrelas errantes, para as quais a escuridão das trevas eternas tem sido reservada para sempre.”

A religiosidade infrutífera é vazia e inútil. Ela não produz nenhum fruto real na vida do indivíduo.

A fé genuína

A fé genuína, por outro lado, é sempre acompanhada de obras. Em Tiago 1:27, o apóstolo Tiago nos diz que “a fé sem obras é morta em si mesma”.
Isso significa que a fé verdadeira sempre se manifesta em nossas ações. Quando temos fé em Deus, somos motivados a viver uma vida de obediência a Ele (Isaías 58).

Exemplos emblemáticos de Fé

A fé genuína se manifesta de muitas maneiras diferentes. Aqui estão alguns exemplos emblemáticos:

  • O exemplo de Jesus Cristo: Jesus Cristo é o exemplo perfeito de fé. Ele confiou em Deus mesmo quando foi traído, preso e crucificado. Ele sabia que Deus era fiel e que cumpriria Suas promessas.
  • O exemplo dos mártires cristãos: Os mártires cristãos são exemplos de fé genuína em ação. Eles foram dispostos a morrer por sua fé em Jesus Cristo.
  • O exemplo de pessoas que superaram grandes desafios: Pessoas que superaram grandes desafios são exemplos de fé genuína. Elas confiaram em Deus para ajudá-las a superar seus desafios.

Conclusão

A fé é uma virtude essencial para a vida cristã. Ela é a base das demais virtudes e nos dá a motivação para vivermos uma vida virtuosa.

A fé genuína tem duas dimensões: uma espiritual e outra prática. A dimensão espiritual da fé é a nossa confiança em Deus, enquanto a dimensão prática é a nossa obediência que resulta em frutos de justiça (Hebreus 12:11-13).

Referências bibliográficas

• Bíblia Sagrada (NVI e ARA)
• Teologia Sistemática, de Charles Hodge
• A Fé que Dá Vida, de John Stott

Adauto C. Santos, Teólogo, Professor de EBD e colaborador deste blog.

1 Comentário

  1. Infelizmente fico impressionado como muitos cristãos hoje em dia ainda tem uma compreensão no mínimo limitada a respeito do que é a verdadeira fé. Como bem colocado no post, a fé não é apenas teórica, algo que acreditamos ou a certeza a existência de Deus e de suas verdades objetivas. Fé também é prática, é sujeitar a vontade pessoal à vontade de Deus, afinal de contas se acreditamos que Deus existe, então vivamos de acordo com essa crença. Como afirmou o reformador Martinho Lutéro, a fé tem um elemento de confiança, um indivíduo que está afogando não pode somente acreditar que um barco é capaz de o salvar, é necessário confiar e subir a bordo do barco.

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